Base de conhecimento
Prática de medição e de entrega, sem academicismo.
O material foi escrito a partir de problemas de campo: o que medir, com quais limites fechar e como documentar para que a aceitação não devolva o pacote.
Como ler um traço OTDR e medir um trecho
O que cada botão faz, como posicionar os cursores A e B, e por que a ferramenta mostra dois valores de perda diferentes para um mesmo trecho — 2P e LSA. O segundo ponto é o essencial: esses dois números divergem por um motivo, não por erro, e a própria divergência também é uma medição.
Índice
Começo
Abrir um arquivo
Gráfico
Percorrer a curva
Eventos
Por que a lista de eventos não coincide com a do equipamento
Cursores A / B
Medir um trecho na mão
2P e LSA
Por que há duas perdas e um só trecho
Edições
O que dá para mudar e o que acontece quando se muda
Limites
O que a ferramenta não faz
Em resumo
Se for para guardar uma coisa só
Começo
Abrir um arquivo
Clique em «Abrir .sor» ou arraste o arquivo para a janela. As duas gerações do formato são lidas — Bellcore 1.x e Telcordia 2.x — e arquivos de qualquer fabricante: o mapeamento dos blocos e das escalas foi conferido em um acervo de 287 medições reais.
O que acontece com o arquivo. Não é preciso ter conta. O arquivo aberto fica guardado conosco — é assim que o serviço aprende a ler mais formatos; o que nunca fazemos com os arquivos está dito nos termos. Os arquivos abertos também ficam na memória deste navegador, para que as edições não se percam ao recarregar a página; para removê-los, use a lista «Arquivos no navegador».
Eventos
Por que a lista de eventos não coincide com a do equipamento
Dentro do arquivo existe a tabela de eventos que o equipamento gravou. A ferramenta mostra essa tabela — e ao mesmo tempo procura eventos por conta própria, na curva. As listas não coincidem por inteiro, e isso é proposital: comparar as duas listas é justamente a razão de existir desta tela. Abaixo do gráfico há três chaves, cada uma pode ser desligada:
- ambos O evento está na tabela do equipamento e na nossa detecção.
- só o equipamento O equipamento gravou, nós não encontramos. Na maioria das vezes o evento está perto demais do vizinho ou do fim da fibra — veja «O que a ferramenta não faz».
- só nós Nós encontramos, e na tabela do equipamento não há nada ali. Isso não é um erro. Na tabela só entra o que passou pelos limites que o operador definiu na hora da medição: se ele colocou um limite de perda de 0.100 dB, uma emenda por fusão de 0.09 dB não vai para o arquivo, embora exista.
Quando o nosso valor de perda difere do valor do equipamento, a tabela mostra os dois: à esquerda o do equipamento, à direita o nosso.
Cursores A / B
Medir um trecho na mão
A automação responde à pergunta «o que existe aqui». Os cursores respondem à pergunta «quanto custa este pedaço» — aquela medição feita à mão, quando se confere um trecho com o projeto ou com o que o equipamento declarou.
- Um clique no gráfico posiciona o cursor A.
- O segundo clique posiciona o B. Surgem a faixa do trecho e a linha de leitura.
- A partir daí o clique move o cursor que estiver mais perto. Para puxar a borda do trecho, clique ao lado dela.
- O marcador pode ser arrastado — pegue a linha e leve-a.
- Remover cursores — tira os dois. A ordem não importa: os cursores podem ser colocados da direita para a esquerda, a ferramenta descobre sozinha onde o trecho começa.
Arrastar longe dos marcadores continua aproximando o trecho, então dá para ajustar o zoom com os cursores posicionados. O clique duplo redefine o zoom e devolve o marcador que o primeiro clique havia deslocado.
O que a linha de leitura mostra
À esquerda — onde está cada cursor e qual é o nível ali. Em seguida, o comprimento de fibra entre eles e duas formas de calcular a perda neste trecho, cada uma com a sua própria atenuação por km. O último número — o desvio — é o juiz, e está explicado abaixo.
2P e LSA
Por que há duas perdas e um só trecho
Não são duas variantes de um mesmo cálculo entre as quais é preciso escolher a «correta». São duas perguntas diferentes feitas aos mesmos dados, e elas erram de formas diferentes. Enquanto coincidem, dá para confiar no trecho. Quando divergem — a divergência é a descoberta.
2P — por dois pontos
O nível sob o cursor A menos o nível sob o cursor B. Nenhuma suposição: o que o equipamento mostrou nesses dois pontos é exatamente o que foi subtraído.
A fraqueza está no mesmo lugar. Uma amostra isolada não fica exatamente no nível de retroespalhamento, e sim perto dele: em um traço com poucas médias, cada uma das duas pontas pode errar por décimos de dB, e a resposta se desloca exatamente outro tanto.
LSA — por todo o trecho
Por todas as amostras entre os cursores traça-se uma reta pelo método dos mínimos quadrados, e a perda é tirada da inclinação dela. O ruído é suavizado pela média de centenas de pontos, e por isso é justamente neste valor que se costuma indicar a atenuação por km da fibra.
A fraqueza está na suposição. O método considera que o trecho é um único pedaço uniforme de fibra. Se houver uma emenda por fusão dentro, a reta é traçada através do degrau, e a inclinação dela descreve uma fibra que não existe.
O desvio é o juiz
O desvio é a distância média das amostras até a reta ajustada. Em fibra uniforme ele fica em centésimos de dB. Se estiver bem maior — há alguma coisa dentro do trecho, e a inclinação do LSA não descreve a fibra.
Como usar isso. Posicione os cursores de modo que o desvio seja o menor possível: é isso que significa haver fibra limpa entre eles e que o número em dB/km se refere justamente a ela. E se o trecho foi escolhido de propósito em volta de uma emenda por fusão — olhe o 2P: ali entram na perda tanto a fibra quanto a própria emenda, que é o que a aceitação normalmente quer.
Exemplo da linha acima: 2P 10.660 dB contra LSA 10.274 dB, com desvio de 0.184 dB. Uma diferença de quase 0.4 dB — dentro do trecho há oito emendas por fusão, e o desvio avisa isso honestamente. Se os cursores pegassem um vão limpo entre elas, os dois números coincidiriam e o desvio cairia para os centésimos.
Referência para conferir: a fibra monomodo G.652 perde cerca de 0.19–0.22 dB/km em 1550 nm e 0.32–0.36 dB/km em 1310 nm. Se o LSA em um vão limpo mostra bem mais do que isso — o problema não está no equipamento, está na fibra.
Edições
O que dá para mudar e o que acontece quando se muda
Editar é gratuito, assim como visualizar: os parâmetros da medição, os eventos — deslocar, reclassificar, acrescentar, apagar — e a própria curva, e depois a exportação em .sor. Sem cadastro.
Clique no valor para alterá-lo: Enter — salvar, Esc — cancelar. Desfazer e refazer estão nas setas do cabeçalho.
Os bytes originais são sempre preservados, e um arquivo em que nada foi mudado é exportado byte a byte idêntico ao original.
Parte dos campos deliberadamente não é editável: o número de amostras, o passo e o comprimento do traço decorrem dos próprios dados, enquanto a largura de pulso e o número de médias descrevem uma aquisição que já aconteceu. Mudá-los seria descrever uma medição que não existiu.
Limites
O que a ferramenta não faz
Melhor saber de antemão do que se surpreender na obra.
- Um pulso longo junta emendas próximas. A janela sobre a qual o degrau é calculado tem várias larguras de pulso. Em 5000 ns isso dá cerca de 3 km, e emendas separadas por 1–2 km a nossa busca não vai separar: o equipamento as encontra, e nós mostramos uma só. Meça com pulso curto se precisar de resolução.
- Um evento não pode parecer um rompimento. Com pulso de 5000 ns a zona morta fica em torno de 500 m: a emenda por fusão fica espalhada por meio quilômetro e parece um trecho um pouco mais inclinado. Se na ampliação «não dá para ver o degrau» — é normal; olhe os números, não a dobra da curva.
- Eventos bem no fim da fibra não são encontrados. O método precisa de uma janela de fibra à direita do evento, e depois do fim não há mais.
- O fim da fibra é determinado com precisão de cerca de cem metros. Em traços em que o sinal mergulha no ruído aos poucos, a ferramenta para antes do fim verdadeiro — de propósito: é melhor ficar aquém do que mostrar «conectores» no meio do ruído.
- Os cursores não medem reflexão. A refletância é tirada da tabela de eventos ou calculada a partir do pico na busca automática.
Em resumo
Se for para guardar uma coisa só
Dois números para um mesmo trecho não são redundância. O 2P diz quanto de fato se perdeu entre dois pontos, incluindo tudo o que está entre eles. O LSA diz com que velocidade a própria fibra perde — mas só se entre os cursores houver mesmo uma fibra só. O desvio responde se essa condição foi cumprida.
Por isso a ordem de trabalho é esta: posicionou os cursores → olhou o desvio → se ele for pequeno, confie no dB/km do LSA; se for grande, use o 2P e procure o que há dentro.
O jeito mais simples de conferir isso é no seu próprio traço: abra um arquivo no aplicativo — a edição de metadados, de eventos e da curva é gratuita lá.