Base de conhecimento · Medição
OTDR embarcado: como ler a curva de referência e a atual
O OTDR embarcado fica dentro do próprio sistema de transporte ou em uma unidade de monitoramento de fibra. Ele levanta a curva sozinho, com tráfego passando na fibra, e exporta um .sor comum. Aqui esse arquivo abre no navegador: você coloca a curva atual sobre a de referência e encontra o ponto onde elas se separam.
Não é preciso instalar nada. Funciona no Windows, no macOS e no Linux.
Autor: Ilya (engenheiro, 6 anos em fibra óptica) ·
O que é um OTDR embarcado
Por dentro é o mesmo OTDR de um equipamento portátil. A diferença é que ele fica na central e dispara sozinho.
Uma placa no sistema de transporte
O módulo fica em um bastidor DWDM e olha para a mesma fibra que leva o tráfego. É assim no Ciena 6500 com PinPoint e na placa OTDR16-1 do Coriant hiT 7300, hoje Infinera. Uma placa do hiT 7300 atende até 16 fibras e injeta a sua luz na linha por um filtro passivo entre os amplificadores.
Uma unidade de monitoramento
Uma unidade de rack com OTDR e chave óptica percorre as fibras uma por uma, centenas por unidade, e avisa sozinha quando há falha. Funcionam assim o VIAVI OTU-8000 no sistema ONMSi e o EXFO Nova Fiber RTU-2.
Um comprimento de onda fora do tráfego
Para não atrapalhar os canais em operação, o OTDR usa um comprimento de onda de serviço. No Ciena 6500 é 1527 ou 1625 nm, conforme o bastidor; no hiT 7300, 1625 nm; nas unidades de monitoramento da VIAVI e da EXFO, 1650 nm. Em fibra apagada, as unidades de monitoramento também medem nos habituais 1310 e 1550 nm.
Quando a curva é levantada sozinha
O sistema levanta a primeira curva quando o enlace é ativado e a guarda como referência. Depois levanta outras: no rompimento da fibra, depois de um reparo, quando a placa liga, e as unidades de monitoramento também seguem uma agenda. O sistema compara cada curva nova com a de referência.
Por isso esses arquivos chegam em pares, e o nome do arquivo muitas vezes diz mais que o cabeçalho. Na Ciena, a curva longa de referência leva LONGBSLN no nome, e a curva longa atual leva long-current. O nome do arquivo do hiT 7300 traz o número da porta da placa, por exemplo OTDR_Port_00-1-001-1. Procure também no nome o nó, a data e a hora do disparo.
Três curvas por disparo
O Ciena PinPoint levanta três curvas com pulsos diferentes a cada disparo. Um único pulso não mostra bem o conector na central e o fim de um enlace de 80 km ao mesmo tempo, então o perto e o longe são lidos em curvas diferentes.
| Curva | O que mostra | Alcance | Pulso padrão | Zona morta de evento | Exatidão de distância |
|---|---|---|---|---|---|
| Central (Office) | Reflexões no painel frontal | 2 km | 100 ns | 50 m | 2 m |
| Curta (Short) | Reflexões perto do transmissor, incluindo o conector do painel | 20 km | 1 µs | 100 m | 4 m |
| Longa (Long) | Perda ao longo de todo o enlace | 80 km, até 120 km com a ponta aberta | 40 µs | 4 km | 15 m |
Segundo a folha de dados do Ciena PinPoint OTDR.
Na curva longa, um pulso de 40 µs dá uma zona morta de evento de 4 km, e nada que esteja mais perto da central aparece nela. O conector do painel e os primeiros quilômetros são lidos nas curvas curta e de central do mesmo disparo. Compare a curva atual com uma referência do mesmo tipo, longa com longa.
Por que o cabeçalho está vazio
Quem levantou a curva foi uma máquina, então os campos que o técnico preenche no equipamento portátil costumam ficar em branco: cabo, fibra, operador, local. Às vezes, no lugar dos valores, estão os nomes dos próprios campos. O comprimento de onda, o pulso e a data da medição o sistema costuma gravar, e com eles dá para casar a curva com a sua referência.
Mostramos o cabeçalho do jeito que o sistema gravou. Campo vazio continua vazio e não vira zero, e o que falta muitas vezes está no nome do arquivo.
Referência e atual no mesmo gráfico
Para achar onde a curva mudou, coloque as duas no mesmo gráfico.
- Abra os dois arquivos: arraste-os para a janela ou clique em Abrir arquivo. Dá para soltar uma pasta ou um arquivo compactado inteiro com as curvas.
- No cartão do segundo arquivo, clique no olho, Mostrar no gráfico. As duas curvas ficam na mesma escala, cada uma com a sua cor.
- Encontre o ponto onde as curvas se separam. Um degrau que não existe na referência indica perda nova nesse ponto. Se a curva atual termina antes da referência, procure o rompimento onde ela termina.
- Coloque o cursor A nesse ponto: a linha de leitura embaixo do gráfico mostra a distância ao longo da fibra.
Pela fibra, a distância até o ponto é maior que pelo cabo, e pelo cabo é maior que pelo terreno: a fibra fica no cabo com excesso de comprimento, e o cabo deixa sobras nas caixas de emenda. A calculadora do artigo sobre os três comprimentos transforma a leitura do equipamento em uma janela onde procurar o ponto no traçado.
Calculadora de distância até a falha
Se a fibra é observada pelas duas pontas (o hiT 7300 faz isso de fábrica), abra as duas curvas e clique em Escolher a curva no sentido oposto no cabeçalho da tabela de eventos. Os eventos dos dois sentidos ficam frente a frente.
Quando não há OTDR dentro
Nem todo sistema tem um OTDR embutido. O Nokia 1830 LX percebe o rompimento quando o canal de supervisão óptico em 1574 nm some. Esse sinal só diz se há luz ou não, e não dá o local do rompimento.
Para o OTDR, as unidades do 1830 LX têm uma entrada à parte, OTDR Mon IN, com até 15 dB de perda. Por essa entrada o equipamento não consegue enxergar o trecho logo depois da unidade, e o alcance fica menor. Nesse caso a curva vem do seu OTDR portátil e abre aqui como qualquer outra.
Perguntas frequentes
Como abrir um .sor de um sistema de monitoramento?
Do mesmo jeito que a curva de um equipamento portátil. Os OTDR embarcados gravam um Bellcore .sor comum, e a folha de dados do Ciena PinPoint cita com todas as letras o Telcordia SR-4731 e o GR-196. Aqui o arquivo abre no navegador, sem instalar programa.
Por que o comprimento de onda é 1625 ou 1650 nm, e não 1550?
A curva foi levantada com tráfego passando na fibra. O OTDR trabalha em um comprimento de onda que os filtros separam dos canais em operação, para que a luz do equipamento e o tráfego não se atrapalhem. A curva em si se lê como em qualquer outro comprimento de onda.
Por que não vejo o conector da central na curva longa?
A zona morta do pulso longo o esconde. A curva longa da Ciena é levantada com pulso de 40 µs, e a zona morta de evento dela é de 4 km. Os eventos próximos você lê na curva curta ou na de central do mesmo disparo.
Por que o cabeçalho não tem cabo nem operador?
Quem levantou a curva foi o sistema, sem ninguém por perto, e não havia quem preenchesse esses campos. O nó, a porta, o tipo de curva e a data muitas vezes estão no nome do arquivo.
Se o arquivo não abriu
Não vimos curvas de OTDR embarcado de todos os fabricantes, e os firmwares variam. Se o seu arquivo não abriu, mande para support@otdrmaster.com: é com arquivos assim que o leitor aprende.
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Os nomes dos equipamentos pertencem aos seus donos. Não temos vínculo com Ciena, Infinera, Nokia, VIAVI nem EXFO.